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Jeux Olympiques de Rio 2016: Quand le Brésil "pacifie" ses favelas, cela n'a rien de pacifique

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BOPE RIO
Special Operations Battalion (BOPE) Police officers patrol as residents move about the Sao Carlos slum complex where the bodies of two men were found in Rio de Janeiro, Brazil, Friday, May 15, 2015. The bodies of two young men were discovered late Thursday in this so-called "pacified" slum where police are present. (AP Photo/Felipe Dana) | ASSOCIATED PRESS
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RIO 2016 - À peine arrivée à Rio de Janeiro le 26 juillet, une équipe de télé australienne s'est rendue sur la plage de Copacabana pour faire des images. Aussitôt, un groupe de travestis approche, agresse le cameraman, avant d'être mis en fuite par leur garde du corps qui s'en est tiré avec un coup de sac à main (lesté d'une brique) sur la tête.

À Rio, cette scène est d'une épouvantable banalité. Au début du mois, l'équivalent de 400.000 euros d'équipement audiovisuel a été volé à une équipe de tournage allemande en centre-ville. En mai, ce sont trois athlètes olympiques de l'équipe espagnole de voile qui ont été agressés dans le quartier de Santa Teresa, toujours en centre-ville.

Les Brésiliens s'en amusent, à défaut d'en pleurer, comme lorsqu'ils découvrent que la France recommande à ses ressortissants d'avoir toujours un billet de 20 ou 50 reais en poche pour "faire plaisir aux voleurs".

Ils savent que la quinzaine des Jeux Olympiques va jeter une lumière crue sur leur "ville merveilleuse": vols, trafics, et crimes y sont endémiques. Ses nombreuses favelas, sortes de bidonvilles en dur, dont certaines touchent les quartiers chics et touristiques d'Ipanema et Copacabana, sont parfois sous la coupe de réseaux de trafiquants de drogue et de receleurs qui y font littéralement la loi.

"De véritables opérations de guerre dans les favelas"

À l'approche des JO, comme pour chaque grand événement, la police brésilienne a donc déployé un impressionnant arsenal policier et militaire afin de "pacifier" la ville temporairement. Elle s'appuie notamment sur les UPP (Unité de Police Pacificatrice) implantées en permanence au cœur des favelas. Et comme à chaque fois, le bilan de ces "pacifications" est alarmant.

Le 27 juillet, une quinzaine de militants d'Amnesty International ont disposé 40 housses noires mortuaires en face du Comité olympique Rio-2016, symbolisant les personnes tuées par la police en mai, la plupart dans des favelas. "Il y a eu 40 morts en mai dans la ville de Rio (plus de 80 dans tout l'Etat) et cela représente une hausse de 135% par rapport à mai 2015. C'est inadmissible", a déclaré Renata Neder, experte en sécurité pour Amnesty.

"Notre principale préoccupation est l'escalade de la violence policière avec la proximité des Jeux" qui commencent le 5 août, souligne-t-elle. Renata Neder explique qu'avant chaque grand événement sportif la violence augmente : en 2007 avant les Jeux panaméricains la police avait exécuté 19 personnes lors d'une seule opération policière dans le complexe de favelas do Alemão et en 2014, année du Mondial de football, la violence a augmenté de 40% par rapport à 2013.

"Nous avons constaté une nette augmentation de la violence policière les années de grands événements", déplore cette porte-parole d'Amnesty qui lançait le même jour la campagne "La violence ne fait pas partie de ces Jeux". Le directeur d'Amnesty Brésil, Atila Roque, dénonce quant à lui, "de véritables opérations de guerre dans les favelas et la périphérie depuis le début de l'année".

Comment le contredire? Les innombrables vidéo tournées dans les favelas font au mieux penser à des scènes de guérilla urbaine, au pire à des interventions spéciales militaires. Souvent précédées par un véhicule blindé, les descentes du Bope, un bataillon d'élite de la police militaire de Rio, sont faites pour impressionner. Comme à la guerre, les soldats tirent à vue, et les passants doivent se méfier des balles perdues.

Une intervention du Bope dans une favela de Rio de Janeiro (novembre 2013)

CHOCANTE: Bope matando geral na favela!!

CHOCANTE: Bope matando geral na favela!!"Rio deve perder uma geração para mudar quadro de violência", diz Beltrame, secretário de governo de "segurança pública"Beltrame, não aceitamos mais perder geraçõesSinto muito Beltrame, mas termos de perder mais uma geração para que o modelo de segurança pública dê certo é, no mínimo, deplorável, para não dizer execrável do ponto de vista humano. Só nós temos que perder uma geração? Já não bastam os 388 anos que seus antepassados europeus nos fizeram amargar?O retrato é sério. Mais de um milhão de negros aportaram no Brasil, trazidos de vários países da África, sem contar os que morreram no meio do caminho. Se pensarmos que, em média uma geração dura cerca de 50 anos, então, só na vigência do regime de escravidão perdemos cerca de seis gerações. Pós-regime de escravidão com a impossibilidade de acessar a terra, a escola e consequentemente postos dignos de emprego, perdemos mais duas. Ou seja, foram oito gerações para ver alguma melhora. Então, senhor secretário, não aceitamos mais perder.Somos ridicularizados todos os dias. Nosso país é racista, nosso Estado mata negros com o silêncio da sociedade e aprovação de grande parte dela, e o pior, aqueles que estão nos lugares de poder reproduzem todo esse quadro, haja vista a informação sobre a população carcerária, demonstrando o rigor do judiciário em se tratando de negros. Genocídio na saúde, falência na educação e na habitação públicas. E quem acessa estes serviços são negros em sua maioria, pois compõem a população mais pobre deste país.Não gosto muito do nome do feriado dedicado à memória de Zumbi dos Palmares, pois acho que não faz jus à proposta de legitimar a importância desta parcela da população que ergueu este país. Deveria se chamar “Dia de se ter consciência do que é ser negro no Brasil” – tudo bem que é um nome enorme –, se aplica mais à necessidade de reafirmar a enormidade do esforço secular de se fazer respeitado (a) independentemente da cor de sua pele, embora tenhamos alguns avanços.O Plano Juventude Viva, iniciativa do Governo Federal que une secretarias de governo, traz em sua concepção uma triste estatística: um número de mortes equivalente à queda de oito aviões cheios por mês é o de mortes de jovens homens negros, moradores das margens das cidades. Há de se ter muita consciência para parar esta tragédia. Genocídio silencioso, ou melhor, silenciado institucionalmente e consentido pela sociedade, daqueles que de fato são a parcela majoritária desta nação. Ainda que muitos se declarem pardos ou morenos, os negros são maioria de acordo com o último censo, em 2010.Ouvindo o sociólogo e professor Michel Misse, em sua exposição sobre o descompasso nos números oficiais a respeito da violência no Estado do Rio de Janeiro, dizer que “a taxa de mortos pela polícia do Estado e do Brasil deveria ser tão anunciada quanto a taxa da inflação”, eu assinei embaixo e vou replicar a fala, acho justo. Até porque, segundo a chamada do evento de lançamento do livro, um cartaz anunciando 10.000 mortes em 10 anos por autos de resistência, não pode ser desprezado. A propósito, a exposição foi feita no lançamento do livro “Quando a polícia mata”, resultado de uma pesquisa que foi realizada pelo Núcleo da Cidadania, Conflito e Violência Urbana (NECVU), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Outra tragédia racial no Brasil é vista nas prisões, que produzem um quadro alarmante: 53% dos presos no Brasil são negros e, segundo a ONU, o Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo. Não há mais ambiente para se procrastinar a mudança estrutural que o Brasil precisa. Ano que vem devemos mostrar na força do voto, que ainda é obrigatório, nosso descontentamento e indignação pela falência das ações do Estado brasileiro em dar dignidade a uma parcela da população que é a maioria dela, e que é todos os dias invisibilizada na sua dor, na sua capacidade intelectual e cultural. Não ao genocídio institucionalizado de uma população, pelo Estado brasileiro.A nossa luta é por direito. O negro, pobre, favelado, ou não, merece respeito. Mônica Francisco, representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Licencianda em Ciências Sociais pela UERJ.Porque eu quiswww.facebook.com/PorqueEuQuis

Posted by Porque eu quis on Segunda, 25 de novembro de 2013


Compilation d'interventions de la police militaire de Rio filmées avec en caméra embraquée (mai 2016)

Le phénomène de l'ultra violence policière au Brésil a déjà été dénoncé en 2007 par le film Tropa de Elite (Troupe d'Elite)>. Du réalisateur et avec l'acteur principal de la série Narcos, il racontait le quotidien du Bope, avec ses pratiques dignes des forces spéciales. Méthodes expéditives, torture, assassinat... Le Bope ne s’embarrasse pas avec les droits de l'homme.

Cet état d'esprit imprègne aussi les forces de l'ordre classiques. Pendant les grandes manifestations contre le gouvernement de Dilma Rousseff en 2013, les violences policières ont inspiré un sketch à Porta dos fundos, troupe comique la plus populaire du Brésil, vu près de 12 millions de fois sur Youtube, intitulé "flashball". A défaut d'en pleurer, il vaut mieux en rire.

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